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Fotografia de Comida, de Alimentos ou de Gastronomia?


Se você está entrando agora no mercado da Fotografia de Gastronomia imagino que uma dúvida básica possa estar pipocando em sua cabeça: qual o nome correto dessa especialidade fotográfica? Basta uma busca rápida pelo Google para constatarmos que os profissionais da área usam três denominações principais: Fotografia de Comida, Fotografia de Alimentos e Fotografia de Gastronomia. Mas, no final das contas, existe uma nomenclatura "oficial"?

Sem querer frustá-lo, informo que será difícil encontrar tal resposta e que questões mercadológicas e de gosto pessoal guiarão a escolha. É bom começarmos com um fato: essa área da fotografia, em língua inglesa, é chamada Food Photography, ou, em tradução literal, Fotografia de Comida. A definição gringa pode ser uma referência inicial a ser usada.

Ao me identificar, classifico-me como Fotógrafo de Gastronomia. Porém, quando o assunto são anúncios no AdWords ou palavras-chave no site, uso basicamente Fotografia de Comida e Fotografia de Alimentos. Explico o porquê das distinções.

Entendo que a arte de retratar a experiência em um restaurante, com uma composição que busca contar uma história (storytelling) e transmitir a sensação de que aquela cena é parte de algo maior, de uma narrativa que não se encerra no enquadramento, possa ser chamada de Fotografia de Gastronomia. Isso porque o termo "gastronomia" guarda um nítido pano de fundo cultural. A gastronomia, além da técnica culinária, nos conta sobre as maneiras de se apreciar um prato por completo, os motivos de se usar determinados ingredientes, as formas de se comer, quando comer, com quem comer, onde comer, dentre outros aspectos relacionados à cultura de determinado povo/região.

Então, por que uso termos diferentes quando meu interesse é o alcance de público? Porque, partindo de experimentações que resultaram em constatações, o cliente em potencial dificilmente digita no Google o termo "Fotografia de Gastronomia". O uso desse termo é mais restrito a profissionais, imprensa especializada e apaixonados por esse viés da fotografia. O leigo, a partir de observações no Google Trends, tende a buscar por termos como "fotografia de comida", "fotografia de alimentos", "fotógrafo de comida", "fotos para restaurante" e assim por diante. Isso serve pelo menos para o mercado onde atuo, Minas Gerais.

Como o que almejo é ser achado para que minha chance de venda cresça, não remo contra a maré por capricho. Meu site e anúncios seguem essa lógica. No tête-à-tête com o cliente posso reforçar minha preferência caso surja a oportunidade, sem nunca parecer pedante ou chatolino, por óbvio.


Exemplo de Fotografia de Gastronomia, onde há uma história sendo contada. Foto: Thobias Almeida

Além da questão mercadológica de audiência, também enxergo diferenças técnicas de composição dentro dessa seara fotográfica. O serviço prestado com foco na criação de imagens para cardápios, por exemplo, poderia ser classificado como Fotografia de Comida. Por que? Porque, em muitos casos, o cliente quer apenas retratar um prato, em fundo branco, para posterior recorte, sem qualquer traço de storytelling. Tratando-se desse formato, o objetivo é simplesmente apresentar uma refeição com o mínimo de distração. Assim, creio ser bem aplicada a terminologia Fotografia de Comida nesses casos.

Tendo em análise o termo Fotografia de Alimentos, em minha opinião o melhor uso seria em trabalhos para, por exemplo, fabricantes de gêneros alimentícios. Quando fotografo um frango congelado, um tempero, um molho envasado, dentre uma infinidade de outros produtos, estou retratando um alimento e não um prato. Alimento é toda substância que podemos ingerir para obter energia e nutrientes. Já o alimento manipulado e preparado pelo homem se transforma em uma refeição com ritual próprio. Em linhas gerais, serão necessárias fotos detalhadas do produto com iluminação uniforme e pouco contrastada, realce de textura e cor, dentre outras técnicas comuns à Fotografia Publicitária e Fotografia de Produtos. Sabe aquela foto da propaganda em que só aparece a linguiça X, no máximo sobre uma tábua de madeira? Seria isso. O ingrediente culinário é a estrela da companhia e é ele quem deve brilhar.

É óbvio que as classificações descritas acima não são estanques. Um restaurante de comida mineira pode optar por um cardápio que mostre os pratos sobre o fogão a lenha, com negras panelas de ferro ao fundo, colheres de pau, ramos de palha e pano de prato xadrez compondo a cena. Assim como uma indústria alimentícia pode optar pelo storytelling ao apresentar seu produto (como de fato ocorre em muitos casos). Nesses casos, no meu conceito, estaríamos fazendo Fotografia de Gastronomia.

O objetivo desse post não é criar regras. Cada um se vale do que acha mais adequado à sua atuação e estilo de trabalho. É apenas minha visão sobre um assunto que já me inquietou bastante e sobre o qual pouco li ou escutei. O espaço está aberto para contribuições e contestações.

Um abraço!

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