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  • Thobias Almeida

Apps de entrega de comida: uma nova onda para os fotógrafos

Há 4 anos atuo no mercado de fotografia de alimentos em Belo Horizonte, capital que tem na gastronomia um dos pilares identitários e econômicos. Sempre guardei a impressão, tendo como base (curtos) períodos trabalhados em São Paulo e Porto Alegre, que os empreendedores locais davam pouca importância à contratação de profissionais especializados em fotografia de alimentos, isso quando não negligenciavam por completo a nossa existência.


Já perdi a conta de quantas vezes me deparei com imagens "pobres" usadas na divulgação de restaurantes e demais estabelecimentos do setor, nos mais diversos meios. Mas, ao que tudo indica, BH parece estar entrando em uma nova era e um dos motores de transformação são os aplicativos focados no delivery de refeições.


Estabelecimentos que oferecem cardápios mais simples estão despertando para a fotografia gastronômica.


É importante estabelecer uma linha de corte. Restaurantes ditos mais sofisticados, que buscam se adequar aos padrões da alta gastronomia, sempre investiram nesse tipo de serviço. No entanto, em uma capital como Belo Horizonte, contam-se nos dedos as casas que se enquadram nessa categoria, o que, obviamente, não é suficiente para sustentar um mercado mais robusto para a fotografia de alimentos.


Os aplicativos de entrega de comida despertaram um universo de restaurantes, hamburguerias, bistrôs, cafés, bares e lanchonetes para a fotografia gastronômica, empreendimentos que até então consideravam esse serviço ou dispensável, ou muito caro ou até mesmo inalcançável. É comum encontrar proprietários de casas mais “simples” que julgavam que a fotografia de alimentos se destinava apenas a “restaurantes chiques”.


E como a mudança está sendo operada? Apps como Uber Eats, 99 Food e Rappi oferecem sessões “gratuitas” de fotografia de alimentos para os parceiros, imagens que depois são inseridas nos cardápios virtuais dos aplicativos. Um fotógrafo é enviado para registrar os pratos da casa e tem-se o rompimento de uma barreira: na maioria dos casos, é o primeiro contato entre o empreendedor do ramo de alimentação e o profissional da fotografia gastronômica.


Apesar de serem sessões mais simples e dinâmicas na comparação com o mercado tradicional de fotografia de alimentos, a magia não deixa de acontecer. Eu fotografo para apps de entrega e já presenciei a seguinte cena em inúmeras oportunidades: o proprietário de um pequeno restaurante traz o prato, muitas vezes de forma tímida e desconfiada, e, minutos depois, ao ver sua comida retratada de forma profissional, seus olhos emitem um brilho de satisfação. “Nem parece que esse prato é meu” é a frase mais repetida. Pronto, acaba de nascer um cliente em potencial para o fotógrafo de gastronomia.


Imagine a cena acima se repetindo em centenas de estabelecimentos. Pois é isso que vem ocorrendo. Eu já muitos trabalhos em função desse primeiro contato, fundamental para realçar uma possibilidade que residia dormente na cabeça de um sem número de empreendedores do setor. A partir daí outras variáveis entram na equação, mas o ponto principal é que houve uma aproximação, iniciou-se a jornada do cliente, valendo-se da terminologia do marketing digital.


Há dois temas vinculados à mudança de mercado proporcionada pelos aplicativos de delivery que podem ser tratados em outro post: a necessidade de qualificação de muitos fotógrafos que optam por trabalhar com gastronomia e a remuneração oferecida pelos apps.


A expansão irreversível desses aplicativos, que devem faturar R$ 18 bilhões no Brasil em 2020, segundo previsão da Abrasel, apontam para uma janela de oportunidades inédita. Cabe a nós, profissionais da área, sabermos como surfar essa onda.