• Instagram - Black Circle
  • Facebook - Black Circle
  • Flickr - Black Circle
  • Thobias Almeida

Do abacaxi a Marraquexe: Breve história da fotografia gastronômica


Milhões de fotografias de comida são carregadas diariamente na cozinha da internet, com destaque para o Instagram, que se tornou a rede "chef" quando o assunto são imagens de alimentos. No entanto, para espanto geral da nação, o hábito (poderia dizer arte?) de se fotografar assuntos culinários nasceu muito antes, antes mesmo da época em que se amarrava cachorro com linguiça.

173 anos as pessoas clicam alimentos. No remoto e agitado ano de 1845 - mentira, 1845 foi um ano bem comunzinho -, usando um protótipo de câmera chamado daguerreótipo, o cientista inglês William Henry Fox Talbot fez uma das primeiras imagens de alimentos de que se tem notícia. O assunto era um abacaxi e dezenas de pêssegos dispostos em cestas sobre uma mesa, com um forro quadriculado à feição modernosa hipster.


A pioneira foto de William Henry Fox Talbot, de 1845. / Domínio Público.

Não há como dissociar a construção estética dessa imagem do estilo característico das pinturas de natureza morta. Aliás, pintura e fotografia são irmãs gêmeas não idênticas. Por volta da década de 1920, os fotógrafos deram início ao distanciamento entre os registros culinários e as obras pictóricas, o que ajudaria a formatar a moderna fotografia de comida.

Publicidade e Livros de Receitas

Avançando sorrateiramente no tempo, chegamos à década de 1940 e o surgimento das fotografias coloridas pelas mãos da publicidade, bem como a disseminação de panfletos e livros de receitas ilustrados por fotos nos EUA. Esses conteúdos deram um boom nas imagens de gastronomia. A fotografia começou a ser usada para vender comida. Adianto: o impacto das publicações culinárias em meados do século 20 nos hábitos alimentares do Ocidente merecerá um post em breve.

Nos primórdios da fotografia gastronômica comercial, a estética era bem plástica e artificial, com muito brilho, ingredientes envernizados, cores saturadas, iluminação chapada e dura e composições questionáveis aos olhos de hoje. Mas foi esse modelo que se popularizou e ajudou a mudar a relação de consumo das imagens de comida junto à sociedade.

Em busca do natural

Desembocamos na década de 1990, quando houve nova guinada em direção a um registro mais natural e documental da comida. O artificialismo foi superado (em várias esferas, diga-se) pela busca de algo mais espontâneo, modelo em certa medida ainda vigente. No entanto, a fotografia de gastronomia era ainda restrita ao viés comercial, seja em revistas, anúncios, livros e demais peças publicitárias e editoriais.

Chegamos então à alvorada dos anos 2000 e o ganho de musculatura da internet. Nascem as redes sociais. Cresce o desejo de exposição individual. Multiplicam-se as ferramentas de disseminação de conteúdo. Tornamo-nos animadores de palco da nossa própria existência.

A cada prato, uma foto

Em 2010 é lançado o Instagram. Tempos depois as pessoas começam a postar fotos casuais de refeições. Surge o nicho de blogs e influenciadores digitais. Vários estilos paralelos de fotografia gastronômica brotam. A busca pela naturalidade controlada é uma tendência. Tudo precisa estar desajeitado na medida certa para transparecer espontaneidade.


Fotografia de gastronomia que busca a naturalidade. Foto: Thobias Almeida

As técnicas mudam e ou se adaptam. Termos como "luz mística", "desconstrução" e "gorgeus gray" se inserem no repertório do fotógrafo de comida. Contar histórias passa a ser o caminho. Não basta mais simplesmente retratar a comida, é preciso contextualizar e encantar. A luz natural se torna a preferida da maioria.

O fazer fotográfico no seio da culinária se amplia. Profissionalmente, o fotógrafo passa a atender a uma ampla gama de clientes, de pequenos bistrôs e cafés a grandes indústrias alimentícias. A maioria se conscientiza de que aparecer bem na fita é passo fundamental para o sucesso comercial.

O fato é que a fotografia gastronômica, tanto a profissional quanto a amadora, se aprimorou. Nunca se registrou tanto os hábitos alimentares em cada canto do planeta. A exploração da culinária ganhou contornos de National Geographic. Se antigamente o ponto alto do aventureiro era descobrir e fotografar uma tribo isolada no meio da Amazônia ou em plena savana africana, hoje é desbravar e registrar cada prato da birosca escondida em alguma ruela de Marraquexe.

#fotografiadealimentos #fotógrafodealimentos #historiadafotografia #fotografiagastronômica #redessociais #instagram #fotógrafodecomida #fotografiadegastronomia #fotodecomida